Fogo que a dor do último corpo fez
nascer ao longo das paredes, os dedos.
Dou nome ao fogo: olhar dentro de outro
olhar. Então podemos avançar
se é este o nosso destino, se já sabemos
perder o próprio coração. Numa pausa
de silêncios declaro: amo-te mas não
posso ser romântico. As páginas
que escrevi estão molhadas, a pena
não dança na mão ágil, os livros
ficaram fora do gesto. Horas a ver
o fogo. A cinza queima as últimas
horas da noite e os versos movem-se
entre si à espera de não mais serem
versos.
- Helder Moura Pereira
in De novo as sombras e as calmas, Contexto
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