Entre tijolos e sapatos velhos nasceu
a hera. Era a que com mais gosto
se regava e se uma flor vinha estragar
suas sombras levava-se a flor. Resistia
a osgas, a baratas, aos puxões
das crianças. E subia: linha esbatendo-se
contra a cal gasta da parede. A hera
é um pormenor, nenhuma atenção
pedia para si. Quando se tentava do mundo
o esquecimento olhava-se a hera.
Passaram anos, nada resta. Parece
morta, irá com outras recordações:
o retrato perto do canteiro, o mel
das alfarrobas, o sino das oito horas.
Uma vez uma criança trouxe uma hera
e deu-a à parede grande da casa.
- Helder Moura Pereira
in De novo as sombras e as calmas, Contexto
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