quinta-feira, novembro 01, 2012

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Pedras, minerais, a lama sobre
o silêncio, por ruas, no mar,
a neve ao de leve nos olhos.
Ergue-se da árvore
essa margem de som
em torno do olhar recanta.
Eu via o morto na roda de fogo.

Põe-se frente a um homem com a morte
outro homem com a morte idêntica.
Estão com os ombros num país
ao lado de uma cidade que desaba.
Os pés no sangue sem um grito.
Os pássaros são de metal,
dão-lhes corda e morrem.
Os pulsos com longínquas bombas
ardem.

Perdoam, percebem, querem voltar.
Relâmpagos presos na folhagem.
O gelo o cristal o aço devoram
âncoras nas últimas explosões.
Um flanco adolescente cortado pela fuselagem.

- Joaquim Manuel Magalhães
in Consequência do Lugar, Relógio d'Água

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