quarta-feira, novembro 14, 2012

Aldrovanda

Há mulheres comparáveis ao leite de lírio
cuja brancura já fez época e entornou-se.
Também as há comparáveis à rosa,
num balcão dum bar, com olhar de lince.

Há mulheres comparáveis ao delírio
que provoca uma flor que não tem nome:
todos os nomes lhe assentam como uma luva
desde que o som do belo os purifique.

Há mulheres comparáveis a todas as flores
mais belas; mas, por vezes, não há ramo
de flores que chegue para uma só mulher,

só comparável à flor d'aldrovanda:
homem que pouse nela é só insecto
sugado a sangue frio até morrer.

- António Barahona
in O sentido da vida é só cantar, Assírio & Alvim

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