Agora, no pino do Verão, que todos os néscios foram massacrados,
E as fúrias da Primavera, acabadas, e estão longe
As primeiras inalações outonais, e as jovens proles
Pousam sobre a relva, as rosas pendem sob o peso
Da fragrância, e a mente põe de lado as suas consumições.
Agora, a mente põe de lado as suas consumições e considera.
O desassossego da lembrança resume-se a isto.
Este é o último dia de um ano qualquer.
Para lá dele, nada sobra do tempo.
Resume-se a isto e à vida da imaginação.
Não há nada mais inscrito, nem pensado, nem sentido,
E isto deve reconfortar a raiz do coração
Pelos seus falsos desastres estes pais por ali parados,
Estas mães que tocam, falam, estão por perto,
Estes amantes que esperam na macieza da erva seca.
II
Adia a anatomia do Verão, como
O pinheiro físico, o pinheiro metafísico.
Vejamos a própria coisa, e nada mais.
Vejamo-la com o mais quente lume da visão.
Reduzir a cinzas tudo o que lhe for estranho.
Localiza o ouro do sol num céu que empalideceu,
Sem a evasão de uma só metáfora.
Olha-o na sua essencial infecundidade
E diz, diz que é este o centro que procuras.
Fixa-o sobre folhagem que sempre dure.
E preenche a folhagem de uma paz que se aprisionou,
Júbilo dessa permanência, justa ignorância
De mudança ainda possível. Expulsa o desejo
Pelo que não é. Esta é a infecundidade
Do que é fértil e não pode mais alcançar.
- Wallace Stevens
(tradução de Hugo Pinto Santos)
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