Espiral
Para saber de que fujo
Adivinho se o céu gótico cor Ucrânia
Volta a insinuar-me – joelhos circunflexos –
Que segue o meu caminho ainda que me escape.
Se tudo é imóvel,
Sou eu quem se arrasta até ao presente?
Ânimo
Preciso dum sinal cirílico no ombro
Que me anime a continuar a respirar
Neste idioma perverso.
Quero deixar de ser
Amarga
Como os planetas que a árvore chora
Ao começar o tempo
E que se quebram – são filamentos de lâmpada –
se chocam com o mapa das minhas mãos.
Selo de pirilampo,
Os olhos de Croácia perseguem-me.
Ragazza
«Desculpe-me»
– sonho que o interrompo em plena rua –:
«leva o meu coração
colado à sola do sapato-»
E então,
descubro que também me envolve
o violeta doce e calmo dos seus olhos.
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