
Por vezes saímos. Do veneno quero eu dizer. Por vezes caminho na rua e não me recordo da casa. do corpo próximo. não é o recordar da casa quero eu dizer é sobretudo a memória da janela sabe escava-me o peito. vamos descer ao inverno entrar por essa música dentro. no silêncio de olhos abertos estaremos no averno com uma rude flauta morta já sem corpo músico entre dedos quando a janela me escavar o peito. é como estar no limiar da obra. é como falhar o grito no instante. é como se esta exacta epifânia me regressasse às mãos e me levasse de volta me devolvesse à dolorosa infância a vida tantas vezes nos vira as costas. nos dá a escada. a escada. as escadas alastram-me desenham-me nas mãos dele escavam-me o peito as entranhas foi assim como digo isto deste modo não de outro assim nos despimos nos despedimos nos deixamos no outro lado da tarefa de atravessar o mar depois o outono nas escadas. o silêncio nos vãos de escadas é a cordialidade da melancolia harmoniosa a melancolia de tentativos braços na febre chega-me pela música agora não nos vãos das escadas mas no silêncio destes scriptoria medievais que percorro pela europa em que a sombra dos livros me esconde onde a sombra me morre dele me devolve a maré onde afundo os punhos para os cortar com um estranho sorriso e eu vou emergir numa praia qualquer num outro sítio do outro lado do mundo no sul onde o sangue é verde com um verso já morto entre os lábios o último canto no golpe do vento porque todo o poema com o tempo é uma elegia um vago estribilho como se uma maré alastrasse não alastram passam em escadas a predicordialgia não era não era mais cordial. um pano. agora era uma boa hora para tentar estancar a cicatriz. a sombra é a maré que dela mendigarmos.
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