«O grande escritor francês»,
Para um caixote que era famoso pelos discursos
Sobre patrões desonestos e trabalhadores pobres.
Eu juro (Tony Russo é minha testemunha).
Era já noite dentro, a multidão ia diminuindo,
Mas logo todos regressaram
Para ver sobre que era aquela lengalenga.
Ele parecia uma das máquinas de lavar louça
De uma das espeluncas da Avenida B.
Ele roía as unhas enquanto falava.
Dizia isto e aquilo, devia ser em francês.
Toda a gente se empertigou, até os bêbados.
Os valentões deixaram de exercitar os músculos.
Era como estar na igreja
Quando a MIssa Cantada era dita em latim.
Ninguém entendia, mas todos ficavam alegres.
Quando acabou foi-se embora, de vez,
Com passadas largas numa grande pressa.
Os restantes atardaram-se a dispersar.
- Charles Simic
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