sábado, novembro 17, 2007

A Pantera

O seu olhar, perturbado no movimento entre grades,
perde-se e não consegue firmar nada mais.
Parece-lhe que a cercam grades aos milhares
e para além dessas grades, mundo nenhum.

As suas enormes patas desenham suaves circulos no chão,
uma e outra vez em redor do centro de si mesma,
lembrando um ritual impotente, uma dança
na qual uma vontade poderosa se retém, paralizada.

Por momentos as suas pupilas erguem-se brevemente,
sem qualquer som uma imagem atravessa o gradeamento
e percorre a tensão dos seus membros
até chegar ao coração e aí se interromper.

- Rainer Maria Rilke
(uma tradução pessoal)

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