segunda-feira, novembro 19, 2007

Os destroços

Um deus sensível morre a cada dia,
destroçado, nas nossas pequenas mãos.

As suas cinzas são sacudidas do nosso corpo
e dispersam à medida que vamos bocejando.

A noite chega empurrando a luz para fora
e os seus demónios invadem-nos as ideias.

Depois já é tarde, adormecemos e é nos sonhos
que convencemos um novo deus a vir até nós

com a manhã. Porque os deuses são seres perfeitos
e cheios de fé, insistem no mesmo erro dia após dia

e dia após dia são maltratados, gozados, espancados,
traídos, violados, arrazados... antes de morrerem

destroçados,
esmagados

entre as nossas pequenas mãos.

Não fossem os demónios com que as trevas
nos assustam e os deuses não teriam descanso.

A noite rendida ao dia, e os homens à solta.

1 comentário:

Anónimo disse...

Lindo!