Um deus sensível morre a cada dia,
destroçado, nas nossas pequenas mãos.
As suas cinzas são sacudidas do nosso corpo
e dispersam à medida que vamos bocejando.
A noite chega empurrando a luz para fora
e os seus demónios invadem-nos as ideias.
Depois já é tarde, adormecemos e é nos sonhos
que convencemos um novo deus a vir até nós
com a manhã. Porque os deuses são seres perfeitos
e cheios de fé, insistem no mesmo erro dia após dia
e dia após dia são maltratados, gozados, espancados,
traídos, violados, arrazados... antes de morrerem
destroçados,
esmagados
entre as nossas pequenas mãos.
Não fossem os demónios com que as trevas
nos assustam e os deuses não teriam descanso.
A noite rendida ao dia, e os homens à solta.
1 comentário:
Lindo!
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