domingo, novembro 25, 2007

Lenore

Lenore nunca leu O Corvo
nem tão pouco os curiosos volumes
de saber esquecido.
Lenore nunca conseguiu adormecer
sem antes acender o candeeiro de veludo.

Lenore nunca deixou de tremer
com o ranger das portas, com palpitar
das luzes, com o aproximar das sombras.
Lenore nunca viu nem Anjos nem Querubins.

Lenore, desde pequenina, apenas conheceu
o cheiro ácido do senhor Poe
e o sabor amargo que o esperma deixa na boca
depois de ser engolido.

1 comentário:

Nuno disse...

muito bom. parabéns.