Lenore nunca leu O Corvo
nem tão pouco os curiosos volumes
de saber esquecido.
Lenore nunca conseguiu adormecer
sem antes acender o candeeiro de veludo.
Lenore nunca deixou de tremer
com o ranger das portas, com palpitar
das luzes, com o aproximar das sombras.
Lenore nunca viu nem Anjos nem Querubins.
Lenore, desde pequenina, apenas conheceu
o cheiro ácido do senhor Poe
e o sabor amargo que o esperma deixa na boca
depois de ser engolido.
1 comentário:
muito bom. parabéns.
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