sábado, agosto 25, 2007

O meu sangue

Le sang païen revient!
Rimbaud

Tenho entre os meus antepassados Reis de tribos
nómadas que se imolavam em arcos de cal.
Diz-se que tinham o brilho das estrelas mais
longínquas, cujo curso se cruzava com as mãos
assépticas da cegueira a descer sobre o desabrochar das
orquídeas.

Sou um anjo que escurece na luz no teu ventre
materno, uma espécie de demónio nascido ao contrário
que estremece com o beijo inoxidável da noite.

Contam que em tempos fui feito de amor
e que as aves predominavam em espécime
nesta imensidão erguida em papel incombustível.

Tenho entre os meus antepassados Rainhas que cresceram
a partir de dentro desta terra. Herdei delas o cabelo vermelho
e a certeza de que o teu corpo é uma insónia.

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