Se traficamos violência nas ruas
não é para alimentar o vício
embora esses beliscões, a nós, sempre
tenham oferecido uma noção de realidade
verosímil e não se escoa tão depressa
como os exasperantes sinais
da sentimentalidade televisiva -
o que interessa no nosso crime
é o pacto de marginalidade
em que violamos o culto dos corpos
o horror da perfeição, das imagens
escarradas pelos anúncios
em cada metro quadrado
da avenida mediática.
Estamos a actuar nas sombras
e aos poucos são nossos
os lotes dos subúrbios,
um por um, um dia
de cada vez, só vamos parar
quando tivermos a cidade cercada.
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