É fácil defender a felicidade. Fácil
como lamber uma latrina
ou fazer filhos entre os escombros, roendo
as unhas à morte. Mas fácil decerto
do que escrever um verso,
um único verso que seja
- enquanto o bolor nos cresce nas mãos.
A impostura mais bela pertence ainda
a parideiras e ejaculadores, aos
funcionários perpétuos da morte. Num membro
já velho, oficialmente viril, escorre sorrindo
a promessa de um novo cadáver.
É tão contente este horror,
a lingerie pura seda com que o amor
nos sufoca. A escória dos sentimentos,
eu não quis - o rosário do impudor.
Simples e fácil. O fácil acaso vulvar
disto tudo. Que se há-de lembrar
certas vezes, embora a mente
seja um atraso sem fim, gozando
o não estar aqui. Os intestinos ou a vida,
nos arrebaldes de
_______________ser
__________________exactamente
_____________________________ninguém.
É difícil escrever um único verso que seja,
enquanto o terror
em nós faz as vezes de um coração:
este esgoto de luz onde a voz se exilou.
- Manuel de Freitas
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