quinta-feira, julho 05, 2007

a sombra de um risco apagado


imagina que eu sou um pássaro
que só voou no dia em que os teus olhos
lhe deram a sensação de um espaço
que pudesse ser atravessado

imagina que se o canto desse pássaro
não pudesse ser ouvido por ti
ele teria nascido no silêncio
e nunca teria declarado alegria

imagina que se não lhe tivesses tocado
ele nem sequer se teria apercebido
da sensação de estar vivo e não seria
mais que um risco apagado de uma folha

imagina que eu não consigo acabar este poema
imagina que isto não é um poema
imagina que não leste isto
não imagines nada.

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