segunda-feira, julho 23, 2007

O que a rapariga quiser


Um olhar. A rapariga e o vento. A vontade desta rapariga faz toda a diferença. Um olhar. E tu podes escrever as palavras mais arrogantes, mais desafiantes, rainhas do sentido do mundo e nenhuma delas mudará a tua vida como um certo olhar da rapariga. Ela não tem que ser esperta e nem precisa de saber ler ou entender as tuas palavras mas se for ela a tal rapariga... Tu estarás à espera que o vento mude a teu favor. Se ela quiser olhar directamente nos teus olhos de repente essas duas fontes que julgaste imensas vão secar. A tua graça farta de tanta compreensão ficará confusa, já se terá esquecido de tudo e se a rapariga seguir o seu olhar e vier (de facto) na tua direcção - ameaçadoramente no teu sentido - então a tua biblioteca terá ardido e não haverá uma só linha de literatura que te possa valer. Tudo o que sabes é o que vais sabendo enquanto não acontece este olhar. A perigosa rapariga. Se. Se a perigosa rapariga, pela mais inconcebível das razões, cruzar os limites da tua atenção e vier pisar na tua sombra (se isso acontecer) a tua boca abrir-se-à, as tuas mãos vão tremer e o teu coração vai bater mais forte do que bateu alguma vez na leitura inspirada de qualquer um dos teus romances preferidos... O coração vai bater-te de tal forma no peito que a caneta Mont Blanc que tens no bolso da camisa vai cuspir a sua tinta e esse teu sangue azul dirá uma coisa que nunca soubeste escrever...

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