quarta-feira, julho 04, 2007

La perduta gente

Enoja-me vê-las parir ao ritmo da sua felicidade
conjugal
ou de outras tão deploráveis razões.
Nos cafés eles falam de coisas importantes
como o Benfica ou o Sporting, enquanto as
mulheres
passeiam os encantadores monstrozinhos
manifestando
overdoses de amor e de ternurice. Gangas, rendas
e fraldas descartáveis vão confirmando o impensado
decalque de uma vida medíocre. Mas tudo estará bem,
desde que a estupidez seja uma virtude
que convém reproduzir, garantir afinal a imemorial
aberração de haver gente a ferir o olhar de outra gente
menos vocacionada para se deleitar com a
atrocidade das coisas.

E hão de parir por muitos anos e de parasitar os dias
com o seu hedonismo recatado e grosseiro.
Inconscientes
artesãos da morte, desconhecendo mesmo que é a
morte
esse fio de baba ou impotente sorriso a ondear-lhes
no rosto.

- Manuel de Freitas

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