
as nuvens são o que vemos cá em baixo,
dos veleiros que percorrem os céus do nosso olhar
enquanto imaginamos os lugares que nós
nunca havemos de conquistar
deixam-nos palavras benévolas
que recolhemos nos bolsos e guardamos
para depois escrevermos os nossos poemas
e dói-nos não sermos pássaros
e termos que ficar em terra com as palavras
à margem dos sonhos, escrevendo como quem sente
porque não pudemos embarcar
assim vamos ficando para trás
em todos os portos, acenando de longe
aos sonhos que se afundam no horizonte
e nos esquecem para sempre
tornamo-nos sinais antigos do tempo que passou,
agastados... até que os nossos poemas se enfadam
tornam-se âncoras com o dobro do nosso peso
e arrastam-nos para o escuro.
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