sexta-feira, junho 08, 2007

A fase a seguir à do Eu


À medida que começo literalmente a sentir os meus sonhos escaparem-me com a maturidade e alguma capacidade de discernimento que Deus começa a respingar sobre mim, vou parecendo menos apatetado e menos alegre mas ao mesmo tempo vou começando a preparar-me para viver algumas coisas que farão repercutir de forma verdadeira aquilo que eu sou. Sempre sonhei com as coisas fantásticas que pessoas que eu admiro fazem e que eu havia de fazer também quando chegasse a minha oportunidade. Mas o que chega é o dia em que começa a ser evidente que as oportunidades não chegam, elas criam-se e é preciso muita vontade e sacríficio para se conseguirem as coisas que nos sonhos são aspectos decorativos.
Cada vez mais e mais percebo que se calhar a maior vitória que um homem pode ter é educar-se bem o suficiente para um dia vir a ser um bom educador. É estranho mas aos vinte e um, quase vinte e dois anos eu começo a perceber que não preciso de viver tudo, posso deixar muitas coisas para um filho.
Isto é estranho mas acho que faz mais sentido ser pai de uma criança feliz do que estar sempre a tentar projectar sobre mim mesmo expectativas vazias. Acho que sobre outra pessoa ser-me-ía mais difícil projectar ilusões e sinto que posso ser muito melhor amigo de outra pessoa do que tenho sido de mim próprio, isto apesar de me considerar capaz de um grande egoísmo.
Apesar de tudo sei que não estou preparado e sei que por esta altura se tivesse que colocar outra pessoa que não eu em primeiro lugar acabaria por me sentir roubado do meu protagonismo mas um dia aquilo que agora finalmente começa a ser menos estranho eventualmente acabará por se tornar uma coisa natural e então eu saberei que estou pronto para partir do zero e não me preocupar com números elevados.

2 comentários:

elouise disse...

Não precisas viver tudo, tem a sua lógica, mas deixar muitas coisas para um filho??? Por que não apenas ver como vive um vizinho, um primo, um filme, um livro?
Não precisas viver tudo e ponto final! Aliás, é impossível viver tudo: cada pessoa vive a sua vida em cada momento, e não te podes transformar em todas as pessoas e em todos os momentos, então não?

Diogo Vaz Pinto disse...

claro, mas há aquele conjunto de coisas que vamos prometendo a nós mesmos - as coisas que temos que viver - e é mais a essas que me refiro.