
Subjectivamente a senhora questiona o meu nada
Objectivamente eu franzo o sobrolho e lanço-me a ela
Digo-lhe que é verdade sim que parti de lugar nenhum
Comecei num ponto onde não se via nada
E claro que ela tinha que questionar qualquer coisa
E na falta de coisa melhor há sempre um nada
Portanto ela pegou no nada de onde eu saltei
E eu quis que ela percebesse que se calhar
Já era hora da senhora voltar para casa
Assim perguntei-lhe o que tinha no colo
E ela disse que no colo não tinha nada
Eu olhei para a cara envelhecida dela
E disse-lhe que no colo tinha sentada
Uma criança triste feita de nada
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