Tenho tantas coisas que quero que vejas, coisas que as tenho aqui agora, coisas que abro nas mãos se vieres aqui para perto de mim, tenho coisas que vou escrever só porque a sombra da tua cabeça reclinada me toca o corpo expectante... É claro que não sei quem és, é provável que não sejas ninguém, que sejas alguém perdido para sempre, um Godot que nunca chega, que parece que foi e já não volta... mas não me lembro dele antes de ir, não me lembro dela, de ti... Tens que ser uma ela, uma mão suave, doce, meiga, pousada sobre a minha, tens que ser um sorriso numa boca que eu posso beijar, tens que ser um mais que tudo o que eu já quis, aquilo que não pude pedir nunca porque nem os meus sonhos te conseguem encontrar... Mas ah se tu soubesses tudo o que tenho para te dar... É isso, é esse sentimento que me faz esperar-te porque tenho a certeza que se tu soubesses virias, estarias aqui comigo agora e eu não teria que escrever estas palavras num mísero blogue que nem sequer tem a dignidade de existir em papel, um blogue onde ninguém me lê e quem me lê não me vê, e quem me vê não me toca e quem me toca tem medo, e quem tem medo de mim nunca me vai conhecer... Porque eu não sou um homem, nem sou um rapaz, eu sou uma coisa fechada num corpo, eu sinto que sou uma coisa boa, como um segredo que quer ser descoberto, que alguém quer contar mas que nem se faz ouvir nem nunca é achado. E eu espero aqui, sentado ao computador escrevendo coisas estranhas em formas vulgares, quase pedindo atenção como se quisesse alguma coisa certa, mas o que é certo é que eu não sei de nada, o que é certo é que eu sinto o que eu quero sem nunca lhe ter posto os olhos em cima, o que é certo é que provavelmente vou morrer assim, só, num quarto, esperando e quem virá será uma mão que não se sente e que me fecha os olhos para sempre.
1 comentário:
...palavras que despoletam a sensação de genuinidade...
Lindo...
(locus)
Enviar um comentário