quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Desaire

A tristeza tem aquela carga leve que oprime. Ficamos com o olhar mortiço e parece que o mundo é que está a rodar mais devagar. Num dia dos namorados em que Lisboa recebeu um sol de Primavera adivinho por aí pessoas cheias de tudo o que mais nos anima.
Para mim este dia é um contra-senso. Eu queria chuva para hoje, daquela chuva grossa que vem lá de cima furiosa e se atira contra as paredes deste prédio, sabendo que não vai causar mossa cada gota faz a sua descida vertiginosa, espatifa-se e nós ganhamos consciência de um espaço sensível à volta deste espaço que nos habita.

2 comentários:

Anónimo disse...

...aí está a chuva que pediste, grossa, furiosa. Cuidado com aquela: os deuses quando nos querem castigar concedem-nos os nossos desejos. Mas confesso-te também eu não consegui ainda deixar de desejar, às vezes absolutamente ou perto disso.

É garantido que quando subo ao céu, estatelo-me no chão, como quando fazia snowboard. Mas ainda cá estou.

Mas por falar nisso, estou a pensar aproveitar este quase vácuo para ir beber alguma coisa aos budistas, esses treinam o não-desejar como estar, pode ser que fique alguma coisa. Afinal de contas só temos decepções porque tínhamos expectativas.

Quanto à destruição de um nome, há o exemplo da fénix, e outros, mas às vezes é melhor ressuscitar noutro lugar, porque não?

Viste o Apocalypto?

Diogo Vaz Pinto disse...

Tens razão chamei a chuva e ela veio... E sabes o que mais? Também a minha tristeza se dissipou porque a sua razão pelo menos para já adormeceu.

Gostei muito de ler o teu comentário, ainda o vou ler com maior cuidado porque agora estou ensonado.

Vi o Apocalypto e gostei, não adorei (adorei os outros trabalhos do Mel Gibson) mas gostei.