

Há ali um bocadinho para mim
um espacinho entre as tuas expirações,
nesse instante de gozo eu estou seguro.
Quando inspiras eu vou com o ar
entro por ti adentro, tento chegar-te ao sangue
como uma doença que te quer infectar
E quando o ar já te deu o que querias
tu atira-lo para fora, transformado num gás,
partículas minúsculas e inúteis
E tudo isto é tão natural e nós já sabemos
não vale a pena contrariar o teu ciclo, tu não te interrompes
e eu agarro-me ao 'meu' espacinho
Às vezes parece um pouco injusto, talvez seja
mas talvez seja eu quem falhou na infecção
ou talvez sejas tu que estás vacinada
E a nossa relação vai sendo como respirar
eu tento não entrar todo de uma vez,
tu não te preocupas porque o que não falta é ar
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