Ontem tive um dia cansativo, um daqueles dias que nos deixamos estar só pela vontade de o ver passar...
Mas tinha qualquer coisa porque esperar ao fim do dia... Sabem como é - aqueles dias que se esgotam mas não ficam no desvalor porque ainda lá para o fim há qualquer coisa que nos puxa o ânimo... Pois é foi assim que andei pelo dia de ontem, chegaria a noite e depois de me encher com as orais que assisti na faculdade ía ter o meu tempo... Casino Estoril, 23:30, o pequeno grande João Pedro Pais!
Sim eu sei que a maioria não lhe dá grande valor mas eu engulo bem a maioria e cago-os antes de ter tempo de arrotar...
O JPP não é um tipo excepcionalmente inteligente nem talvez muito interessante mas como músico é óptimo e não preciso de o comparar, tem um estilo próprio, fácil, simples, bonito, descomplexado e muito pouco ou até nada pretensioso (o que convenhamos é algo de precioso e raro).
Mas este post nem serve para exultar o trabalho do JPP serve antes para que eu possa expressar o mal estar que senti ontem quando me dirigi ao casino... Ainda não disse mas o concerto era de entrada livre e para mim este é o ponto mais importante para todas as teias que eu posso tecer ligadas ao que me incomodou...
Infelizmente é muito raro o JPP dar concertos na zona de Lisboa (normalmente é nos arredores) que não sejam em festas locais e portanto pagos pelas autarquias para o povão largar a televisão, levantar o cagueiro do sofá e pôr o estrolho ao ar... Eu que tenho os 4 cd's do JPP e gosto muito da generalidade das músicas pagava de bom grado algum dinheiro para vê-lo tocar, pagava até mais para o ver do que pagaria por um concerto no pavilhão atlântico com uma banda de craveira internacional, simplesmente porque eu pago pelo que gosto e não pelo que toda a gente gosta de pagar.
Ora dirigi-me ao Estoril e no caminho fui tomando percepção de que se podia dar o advento de os vilões aderirem à proposta do casino.
E assim foi... Quando lá cheguei era vê-los por ali a deambular - uns a tentar ver o concerto outros só a passar de um lado para o outro tipo feira... Ainda tentei colocar-me a jeito para ver qualquer coisa mas cedo percebi que não valia a pena lutar comigo mesmo, o dia estava estragado...
Eu sou absolutamente contra borlas porque as borlas atraem aquele tipo de pessoas que de outra forma não estariam por ali...
O que se passou ontem foi um episódio realmente triste não porque eu ache que é mau que se organizem espectáculos tendencialmente gratuitos tanto para promover a cultura e a música portuguesa como para animar as pessoas, o que eu acho triste é que estas pessoas não aderem realmente a nada que não seja no esquema da borla.
Se por um lado aquilo ontem estava completamente batido então faria sentido pensar que provavelmente o JPP teria facilidade em marcar espectáculos para um público pagante porque ontem a sala estava a atirar pelas bordas... Mas não é isso que sucede porque esta gentinha não se educa, não compram música, nem nas lojas os cd's nem depois os bilhetes para os espectáculos ao vivo --- estamos aqui perante um fenómeno em que a cultura não se paga a si própria pelas iniciativas comuns a que um artista se deve submeter. Os artistas portugueses acabam mesmo por se ver obrigados a uma espécie de mendicidade... Eles trabalham e produzem com qualidade, as pessoas ouvem as músicas na rádio e nos outros meios de comunicação e gostam dos singles mas depois não compram os álbuns e não seguem os artistas nas suas actuações, ficam à espera que surja uma borla e então sim aparecem e sujeitam-se às condições que encontram, às vezes péssimas - mas é uma borla e de uma borla ninguém se queixa porque não houve investimento e assim andamos nós e os nossos artistas à espera de ser reconhecidos pelo seu trabalho e tratados com maior carinho pelo público que até os aprecia mas não é capaz de desapertar os cordões à bolsa para os sustentar.

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