terça-feira, fevereiro 05, 2013

Substância escura



Ele vinha sentar-se junto à chávena
falando devagar com a voz grave
amável e feroz de quem achava
a chave dos seus dias nas palavras

O braço pontual como o anel
vivo dum rio vivo repousava
entre as margens paradas da instável
mesa parede rede invariável

A manga do casaco a luz da tarde
cobria de silêncio em cada pausa
A voz substância escura como a tarde
retomava o trabalho como a poalha

ilúcida da tarde sobre a toalha
inútil do crepúsculo Ele estava
sentado entre as palavras e trazia
no silêncio da mão uma vara de prata

- Gastão Cruz

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