Quoi, toujours? Entre moi sans cesse et
le bonheur!
G. de Nerval
Talvez esta noite não seja noite,
deve ser um sol horrendo, ou
o outro, ou qualquer coisa...
Que sei eu! Faltam palavras,
falta candor, falta poesia
quando o sangue chora e chora!
Podia ser tão feliz esta noite!
Bastava que me fosse dado tocar
as sombras, ouvir passos,
dizer «boas noites» a alguém
que passeasse o seu cão,
olharia a luz, diria da sua
estranha lactescência, tropeçaria
em pedras ao acaso, como é hábito.
Mas há algo que rasga a pele,
uma fúria cega
que me corre nas veias.
Quero sair! Demónio da alma:
Deixa, deixa-me atravessar o teu sorriso!
Podia ser tão feliz esta noite!
Tenho tantos sonhos em atraso.
- Alejandra Pizarnik
in Poesía Completa, Lumen
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