quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Saudação segunda


Fostes louvados, meus livros,
              porque eu acabara de chegar do interior;
Eu estava atrasado vinte anos
              e por isso encontrastes um público preparado.
Não vos renego,
              Não renegueis vossa progênie.

Aqui estão eles sem rebuscados artifícios,
Aqui estão eles sem nada de arcaico.
Observai a irritação geral:

"Então é isto", dizem eles, "o contra-senso
              que esperamos dos poetas?"
"Onde está o Pitoresco?"
              "Onde a vertigem da emoção?"
"Não! O primeiro livro dele era melhor."
              "Pobre Coitado! perdeu as ilusões."

Ide, pequenas canções nuas e impudentes,
Ide com um pé ligeiro!
(Ou com dois pés ligeiros, se quiserdes!)
Ide e dançai despudoradamente!
Ide com travessuras impertinentes!

Comprimentai os graves, os indigestos,
Saudai-os pondo a língua para fora.
Aqui estão vossos guizos, vossos confetti.
Ide! rejuvenescei as coisas!
Rejuvenescei até The Spectator.
              Ide com vaias e assobios!

Dançai a dança do phallus
              contai anedotas de Cibele!
Falai da conduta indecorosa dos Deuses!

Levantai as saias das pudicas,
              falai de seus joelhos e tornozelos.
Mas sobretudo, ide às pessoas práticas —
Dizei-lhes que não trabalhais
              e que vivereis eternamente.

- Ezra Pound
(tradução de Mário Faustino)
in Poesia, Hucitec

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