Estou entre os claros milagres deste dia
Surgido azul, radiante, da luz; desce o vento
Como uma esperança singela: aguarda
Inteiro uma plenitude que se vai dando
Entre os certos, claros milagres deste dia.
Escuto como algo ladra ao fundo, arde
Como uma seca música, como à volta
Deste sol e deste céu: pensar é agora afundar
As mãos, conceder a palavra ao silêncio;
É o vento, a esperança singela.
Lanço
Contra as lentas palavras dos astros,
Como chamas, vorazes desejos que regressam
De voo inútil. Há uma linha, uma fronteira irónica
Onde encontramos e perdemos.
(O dia azul
Continua a subir, como uma rosa de incêndio.)
- Roberto Fernández Retamar
(tradução de Vasco Gato)
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