Bom: a estrada aberta aí estava à tua frente.
Avançavas como tigre em sua floresta, em casa.
Bem avisei: as armadilhas antigas, a cidade
cercada, o incêndio no Verão da ingenuidade.
Dizias: não! Era assim essa história,
como quem não quer a coisa.
E tigre já não eras: gato sem lareira,
apenas cinzas – as penas. Escolheste:
és bichano discreto, doméstico, bicho
humano à esquina das cidades. Mais:
Ulisses à rasca, sem saber que o fogo,
a água, eram o ar da terra.
- Eduardo Guerra Carneiro
in Como Quem Não Quer A Coisa, 1978
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