Nietzsche não achava que a aristocracia futura pudesse recorrer a algo melhor do que uma guerra entre classes ou nações para se afirmar. Ele, constantemente a dizer que há dois mil anos o escravo era Rei, apesar do renascimento e da cultura francesa, sabia que não bastava a uma classe mandar para ser digna de o fazer; conhecia aquela aristocracia falsa que não passa do mais baixo refugo democrático, uma horda de escravos que se tinha alcandorado aos cumes lisonjeando outros escravos e abafando com a sua massa imbecil tudo quanto é nobre e forte. Sabia que os senhores do momento não justificavam a sua conquista com nenhuma das qualidades que tornam o conquistador amado. Elevando os fracos ao topo, a impostura cristã pôs em todo o lado máscaras, o mercador uma máscara de nobre, o bancário uma máscara de apóstolo, o histrião uma máscara de artista, o militar uma máscara de guerreiro, o ministro uma máscara de chefe. «A populaça de pé! A populaça vergada!... O mundo roda, roda invisivelmente à volta dos inventores dos valores novos. Porém, à volta dos actores roda o povo e a glória: assim vai o mundo».
- Élie Faure
in A dança sobre o abismo (Nietzsche), Hiena
domingo, janeiro 27, 2013
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