Não sei que mais retive da carta
de um amigo, talvez a frase riscada
no máximo da alegria dizendo a morte
mesmo que chegue breve está tão longe
de mim. São instantes, o cigarro
queimado de muito tempo nos dedos,
aos lábios com tão pouco frio levando
a cinza. Ainda têm o vício de viver
na mesma casa e a repulsa já
lhes atravessa os ossos. Outros amigos,
tantas referências foram precisas
para a sua conquista, pintores
do rosto reconhecendo-se na descoberta
das coisas, perdidos músicos tamborilando
nas mesas. A linguagem dos sinais
e dos convites inventam-nas eles, gente
perturbada pelo sol entre o feitiço
e a melancolia. Gestos de sombra, só
o que tenho para lhes dar, festejos
difíceis.
- Helder Moura Pereira
in De novo as sombras e as calmas, Contexto
Sem comentários:
Enviar um comentário