domingo, dezembro 23, 2012

Na última entrevista concedida à grande imprensa nos meados dos anos 50, o filósofo Martin Heidegger, perguntado sobre o que ele achava da Bomba Atômica, respondeu: "Qual delas? Esta de agora, ou aquela que explodiu há 2 mil anos?". "Como assim?", perguntaram os jornalistas atônitos. Heidegger acrescentou: "Pois quando Cristo falou: 'Meu reino não é deste mundo', ele detonou a primeira bomba Atômica".
De fato, a visão do mundo judaico-cristã, com seu Deus situado fora do Tempo & Espaço imobilizado na Eternidade, representa a concepção mais antiecológica de que temos notícia. "Meu reino não é deste mundo" significa que o mundo poderá estar entregue a todo tipo de devastação, quer por bombas, agrotóxicos, industrialização etc., pois para este ponto de vista o planeta Terra é um lugar de passagem, um "vale de lágrimas", um lugar de expiação.
Não é sem motivo que os romanos perseguiam os cristãos sob a acusação de que eram ateus, pois não adoravam os deuses do panteão romano cada um deles representando uma paixão humana ou deusas agrárias representando a fertilidade & generosidade da Terra, como Ceres & Cibele, sem falar de Baco (Dionísios para os gregos), deus da uva, do vinho & das bacanais que na Grécia & Roma tinham um sentido religioso. Com o advento do Cristianismo, ocorreu a dessacralização do mundo, que para os pagãos era povoado de deuses. "O que for feito à Terra, recairá sobre os filhos da Terra" diz o ditado dos índios peles-vermelhas, adoradores do peiote, do Sol, da Lua, do coiote & do falcão. Amnésico & anestesiado pela civilização urbana industrial, robotizado em seus sentimentos, limitado em sua visão pelos edifícios & muros das cidades, o homem moderno não sente mais alegria cósmica & pagã de participar de um nascer do sol, de um crepúsculo, do silêncio das ilhas perfumadas, do instinto, da imensidão dos mares silenciosos, das estrelas. Reprimindo a criança que existe nele, o homem moderno aniquila os deuses do júbilo em seu coração. Deixa de improvisar sua vida, enquadrando-se na marcha uniforme da sociedade organizada & vestida.

- Roberto Piva

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