domingo, dezembro 30, 2012


En un jardín te he soñado...

Antonio Machado

Jardim fechado ao tempo
e ao uso dos homens.
Intata, livre,
em generosa desordem
sua matéria vegetal
invade áleas e fontes
e altos muros.
De há muito cegou
as grades, portas e janelas
e calou para sempre
todo alheio ruído.
Uma suave brisa o percorre
e apenas a voz perpétua da água
e algum leve e cego
estalido vegetal
povoam-no de ecos familiares.
Ali, talvez.
reste memória
do que foste um dia.
Ali, talvez,
uma noturna sombra
de umidade e terror
fale de um nome
um simples nome
que reina ainda
no clausurado espaço
que imagino
para recuperar do esquecimento
a nossa fábula.

- Álvaro Mutis
(tradução de Geraldo Holanda Cavalcanti)
in Poesias, Record

Sem comentários: