domingo, dezembro 16, 2012

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Devias querer vida em vez de palavras. Devias saber que as palavras não choram, não riem. Devias, sobretudo, aprender que estás só, nenhuma palavra poderá viver ou morrer no teu lugar. Escreveste na mensagem que me enviaste: eu não vou poder ser feliz. Senti que estavas a trocar vida por poesia e nem a dor consegui ouvir. A violência do erro tudo calava e do grito que desesperado lançavas, nem dor nem poesia restavam.

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Ficam com o rosto pálido, emaciado, nariz estreito, afilado, e na pele o cheiro que alguém me disse a terra e eu entendi. Cheiro a corpo que não renasce, matéria que se decompõe, deteriora, e despe com crueza o homem cada vez mais nu. Um destes dias serei eu, reconhecer-me-ei no espelho, e saberei que chegou a minha vez.

- Jorge Roque
in Canção da vida, Averno

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