terça-feira, dezembro 04, 2012

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estou muito zangado
tudo isto cheira a trapo e a ervanária
tudo isto cheira a hera para estátuas líricas e eu nasci em perfeitas condições de trabalho
que fazer___ que fazer
a oxidação seria um escândalo gigante
um braço de cristal servindo de sirene
às aves trôpegas de tanta música grátis

nem os meus olhos nem o teu cabelo
me tiram hoje deste vento de cinzas
armazém de retém de sofistas menores
lata de tinta de borrar a vida
enquanto não chega a mão definidora

zangado___ muito zangado
o vento alisa as frinchas do organizado
anoitecer geral
e a morte ronda perto
próxima como nunca da garganta dos lobos

vamos crianças para a cova espigar um rato cinzento
vamos cessando connosco todo o murmúrio

- Mário Cesariny
in Manual de prestidigitação

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