quarta-feira, dezembro 12, 2012

A saque e a sangue


Na minha cidade a saque e a sangue
um grilo sacana canta e não canta
um grilo couraçado, desesperado
dentro da gaiola, pequena garganta

*

Conheço estas vozes que cheiram a tabaco

e dizem e dizem a saque e a sangue
a missão do poeta na miséria dos tempos:
Construir uma Rosa, suicidar-se estanque

ou viver pesaroso, fumador de navios,
ou vampiro feliz na encruzilhada dos rios

- António Barahona
in GRIFO (1970)

Sem comentários: