terça-feira, novembro 27, 2012

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Passavam mil anos. Seres extraordinários
saíam da terra ou nela penetravam e
desapareciam. Guerras arrasavam
o que se erguia por cima de outras guerras.
E este movimento era imóvel. As pedras
lá estavam, não mentiam, com os astros
as únicas fautoras do silêncio.
Havia qualquer coisa como o vento que erodia.
Mas passavam mil anos. Os povos contavam
pelos dedos. A morte não vinha mais depressa.

- Carlos Poças Falcão
in Arte Nenhuma (Poesia 1987-2012), Opera Omnia

Poema que abre a reunião de uma das raríssimas obras, de entre a poesia portuguesa contemporânea, que merecia ser reunida em vez de antologiada.

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