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"A obra do artista é a única relação satisfatória que ele pode estabelecer com os seus semelhantes, porque os seus verdadeiros amigos deve procurá-los entre os mortos ou entre os que ainda não nasceram. Por isso não deve ocupar-se de política; é domínio que não lhe compete. Deve preocupar-se mais com os valores do que com a política. Hoje tudo isso me faz pensar num espectáculo ridículo de sombras chinesas, porque governar é uma arte, não uma ciência, da mesma forma que uma sociedade é um organismo e não um sistema. A sua unidade menor é a família e a monarquia é a estrutura que realmente lhe convém, porque uma família real é verdadeiramente o reflexo do que nela existe de humano, uma legítima idolatria. Falo por nós, os britânicos, com o nosso quixotismo essencial e a nossa preguiça mental. Nada sei dos outros. Quanto aos erros do capitalismo, são todos remediáveis mediante uma justa tributação. Não se deve procurar uma igualdade imaginária entre os homens mas uma equidade decente. Os reis fabricariam então uma vaga filosofia, como faziam na China; uma monarquia absoluta é impossível nos nossos dias porque a filosofia da realeza está muito por baixo. O mesmo se diga das ditaduras.
Quanto ao comunismo, também não me parece capaz de resolver o problema; a análise do homem em termos de comportamento económico cerceia a alegria de viver e é uma loucura querer despojá-lo do elemento pessoal."
- Lawrence Durrell
(tradução de Daniel Gonçalves)
palavras de Pursewarden
in Moutolive, Ulisseia
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