sábado, novembro 10, 2012

A coisa é o seu nome, não porque a nomeia mas porque a substitui, tornando-a tolerável aos olhos (sim, não aos ouvidos) de quem acha todas as coisas intoleráveis enquanto tal. Um mundo filtrado pelas palavras, e só assim amado, em breve se torna um mundo de palavras. Palavras escritas, está bom de ver; lidas, porventura. Nunca improvisadas, funcionais, serventes de qualquer prática alheia à estética. Porque a estética é o que nos separa da merda, ainda que a merda seja estetizável e a estética emerdável. Mas, nesses casos, nem uma nem outra são já o que são, por via da boa ou má moldagem que o pensamento – fonte das palavras – lhes pousou. E isto basta a provar que a poesia nasce do pensamento. Os sentimentos, se vêm ao caso, são os que, solitariamente, as palavras geram em nós (ou que geramos por elas - isso já é outra discussão). Os sentimentos, conforme a vox populi os entende, são coisas de sopeiras-Hollywood-Disney-Globo-animais domésticos, coisas que prescindem de palavras; portanto, não-coisas. Um coelho é uma não-coisa. Um coelho frito é uma bela ideia. A morte é uma palavra. Enorme.
 

Sem comentários: