esplendoroso e azul da Quimera
que põe uma explosão de Primavera
sobre meu coração e meu destino.
Tenho a alma feita ritmo e harmonia;
tudo em meu ser é música e é canto
desde o requiem tristíssimo do pranto
até ao trino triunfal da alegria.
E não porque a vida minha alma morda
seu ritmo rimará minha alma louca:
ainda mais do que pela mão que a toca
a corda vibra e canta porque é corda.
Assim pois, quando a negra e dura garra
da morte o peito meu despedaçar,
meu espírito assim mesmo vai pairar
qual último vibrar de uma guitarra.
E já de novo no astral caminho
combinará seus anseios de harmonia
com a cascata de uma sinfonia
ou a alegria musical de um trino.
- Nicolás Guillén
(tradução de José Eduardo Simões)
Sem comentários:
Enviar um comentário