quarta-feira, outubro 03, 2012

A ordem do país


Venho da Póvoa pela A28. Lá fora, nos campos, cheira a estrume; na rádio ouvem-se ainda as palavras de Vítor Gaspar — os impostos aumentam porque o ministro cumpre ordens. Vou ao Carvalhido entregar um trabalho a um cliente. A rua tem duas faixas, uma em cada sentido, atulhadas de carros, entro num dos parques de estacionamento da instituição. Um segurança vem ter comigo e manda-me sair; explico-lhe que tenho coisas para entregar ali mesmo, ele insiste que não posso estacionar porque os parques são para os utentes dos serviços e não para fornecedores. "Mas os parques estão vazios e eu não vou demorar." Nada, o segurança continua a sua lengalenga, cumpre com zelo (latim zelus, -i, inveja, ciúmes, emulação, ardor) ordens da administração. Como não costumo estacionar em segunda fila e não há estacionamento disponível na zona, venho embora com os papéis na bagageira. No regresso a casa o 301 está parado no semáforo vermelho e o semáforo — sabe o motorista e sei eu — ainda vai estar fechado uns minutos. Peço ao motorista para abrir a porta mas ele não liga. O autocarro está mesmo junto ao passeio, não há perigo nenhum, apenas o cumprimento de ordens.

- Cristina

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