A ordem do país
Venho da Póvoa pela A28. Lá fora,
nos campos, cheira a estrume; na rádio ouvem-se ainda as palavras de
Vítor Gaspar — os impostos aumentam porque o ministro cumpre ordens. Vou
ao Carvalhido entregar um trabalho a um cliente. A rua tem duas faixas,
uma em cada sentido, atulhadas de carros, entro num dos parques de
estacionamento da instituição. Um
segurança vem ter comigo e manda-me sair; explico-lhe que tenho coisas
para entregar ali mesmo, ele insiste que não posso estacionar porque os
parques são para os utentes dos serviços e não para fornecedores. "Mas os
parques estão vazios e eu não vou demorar." Nada, o segurança continua a
sua lengalenga, cumpre com zelo (latim zelus, -i, inveja,
ciúmes, emulação, ardor) ordens da administração. Como não costumo
estacionar em segunda fila e não há estacionamento disponível na zona,
venho embora com os papéis na bagageira. No regresso a casa o 301 está
parado no semáforo vermelho e o semáforo — sabe o motorista e sei eu —
ainda vai estar fechado uns minutos. Peço ao motorista para abrir a
porta mas ele não liga. O autocarro está mesmo junto ao passeio, não há
perigo nenhum, apenas o cumprimento de ordens.
- Cristina
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