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«Veja-se o sexo como um campo de ruínas. Com efeito, o que fazemos senão devastar a monumentalidade dos corpos. O desejo, a ser ou saber alguma coisa, é a procura obscura da zona em que a partícula se ilumina e de súbito com a fractura da História a nossa própria pequena corporalidade, e pequena história, se congrega, confecciona, como uma ruína. No nosso contacto com eles, o que fazemos é sempre despedaçar os corpos. Ou é esse o modo como eles de nós também se ou não se aproximam e nos enchameiam para no fim nos deixarem como uma terre gaste um campo em sombras, uma teoria de artifícios esquisitos e de ruínas. É essa a lição mais esplendorosa dos corpos. Não nos convocarem para o céu aberto da História mas de encontro à ilusão do tempo se oporem como nódulos. Pegas. Resistências.»
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«Uma ruína é sempre sacra. Nunca um prazer inocente.»
in Ruínas, Quatro Elementos Editores
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