quinta-feira, março 22, 2012

Comboio rápido

Castanho de cognac. Castanho de folhagem. Castanho avermelhado. Amarelo malaio.
Rápido Berlim-Trelleborg e as praias do Báltico.

Carne que ia nua.
Bronzeada pelo mar até à boca.
Madura e inclinada. Para a volúpia grega.
Em nostalgia de foices: como vai longe o verão!
Penúltimo dia já do nono mês!

Dentro de nós, a ânsia de restolho e últimas amêndoas.

Relaxamentos, o sangue, as lassidões,
A proximidade das dálias enlouquece.

Bronzeado de homem lança-se sobre bronzeado de mulher:

Uma mulher é coisa para uma noite. E se agradou, para mais uma ainda!
Oh! E depois novamente este ficar-entregue-a-si-próprio!
Estes silêncios! Este ser-se arrastado!
Uma mulher é algo com odor.
Indizível! Agonia! Resedas!
E nisso há Sul, pastor e mar.
Em cada vertente repousa uma felicidade.
Bronzeado claro de mulher cambaleando para bronzeado escuro de homem:

Segura-me! Olha que caio!
Este cansaço na nuca...
Oh, este odor febril e doce,
o derradeiro, subindo dos jardins. –

- Gottfried Benn
(tradução de João Barrento)
in Expressionismo Alemão (Antologia Poética), Ática

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