quarta-feira, janeiro 25, 2012

Chuva estival

Na solitária noite sem vivalma,
tíbia, agitada, leve cai a chuva,
só para si só.

Íntima bailarina pela noite,
misteriosa, enlouquecida,
acolá chora, voa, sustém aqui o riso,
resmoneia caprichosa, suspende-se,
brincalhona, inquietante,
chega e parte, cala-se, regressa de longe
com sorridas lágrimas,
intenta dizer algo que em suspiro morre.

E escapando-se entre sussurros
e vozes de sereia,
deixa no ar um mórbido perfume
de amor defunto em memória lancinante,

e na alma o errático, incurável,
secreto amor de todas as derivas...

- Tomás Segovia
(tradução de J. E. Simões)

Sem comentários: