II.
Aconteceu a uma irmã de Medusa cortar
os dois pulsos com vidro e esperar assustada em frente ao espelho,
Percebeu que não era sangue que lhe saía dos pulsos mas musgo,
Dos pulsos lácteos nascia-lhe musgo verde e fresco, que torneava o azul
das veias mais pequenas, musgo verde e fresco como das fontes de Minos, então voltou a olhar-se ao espelho e percebeu que não podia morrer
Não por já estar morta, mas por ser condenada à mais doce pena, a de renascer
sem dar conta disso; o que a olhava no espelho beijou-lhe os pulsos, lambeu o fresco musgo cheio de vida; ela deitou a cabeça por cima do que faz adormecer e sentiu o seu batimento cardíaco, beijou-lhe e lambeu-lhe os pulsos frescos e quentes,
Então ela riu-se e bebeu vinho de Marsala e com vinho de Marsala desenhou nas costas do que faz adormecer, uma letra e outra letra e outra letra – Mandou que lhe trouxessem papoilas e margaridas, algumas comeu, com outras decorou o cabelo
Adormeceu*
Nuno Brito
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