O poeta
O poeta revolve os olhos, afia os dentes, destrava a língua aguda, prepara a voz tonitruante, abre a boca enorme, descomunal, apocalíptica, e atira: "piu".
- Rui Manuel Amaral
O outro
O outro pisca os olhinhos que já relampejam num brilho encaramelado, enrola e desenrola a língua nervosamente, ansiosa de si, imaginariamente coloca a voz pouco acima do silêncio, onde pensa que fica o sublime -
antes de oferecer a pérola
morde os lábios, fá-los explodir daí a nada num sorrisinho tão contente de existir, abre a boquinha, desenha aí um instante mágico
e entoa: "méé".
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