segunda-feira, maio 25, 2009

Night of the Lepus (1972)

Um amigo teve em tempos um coelho chamado Pantufa (não se preocupem com a falta de imaginação desse meu amigo que ele hoje em dia tem um emprego adequado a isso, é psicólogo). A mãe desse meu amigo sempre disse que ele ia ser psicólogo. Eu, pela imaginação demonstrada pelo gajo para pôr nomes a animais, sempre o vi como um sério candidato a ter menções honrosas em prémios literários portugueses na modalidade de poesia. Anos mais tarde tive eu uma dessas menções honrosas e dei-me conta de que afinal isso não é galardão para gajos com falta de imaginação mas sim para gajos que acham que um coelho peludo merece mais que um nome tipo "Pantufa" ou que o nome "Rex" não deve ser dado a um pastor alemão. Nunca mais voltei a concorrer a um prémio de poesia e dois dias depois mudei o nome do meu peixe para Nemo. Antes chamava-se Pierre Loti.

Mas não é de peixes - nem de poesia - que este post trata.

Pela primeira vez nesta rúbrica apresento um filme que pertence a um dos géneros mais populares de exploitation: os nature run amok films - animais grandes como o caralho em português - que ganharam alguma notoriedade com pérolas como Alligator, Great White e Piranhas (a aura de cinéfilo alternativo e obscuro impede-me de citar o Jaws). Este filme interessa-me em particular porque em vez de enormes tubarões, ameaçadores crocodilos ou esfomeados ursos, aqui trata-se com a devida atenção uma espécie que efectivamente tem atormentado o ser humano desde os tempos do maneirismo de Frei Agostinho da Cruz: os coelhos gigantes mutantes.
O filme acaba bem, não esperem outra coisa. Melhor só mesmo se alguém andasse por aí a fazer aos coelhos provincianos a mesma coisa que fazem no filme a estes coelhos gigantes. De roedores mascarados em numerosos tufos de pêlo, sejam normais ou mutantes, já estamos todos fartos.

Sem comentários: