fantasias da noite. O seu desejo
ia por vozes, fumos, aventuras
trazidas pelos ventos litorais.
Virou-se para mim. De vez em quando
acendia um cigarro; era uma luz
de abismo que tornava mais profundo
o mar de que os seus olhos me cercavam.
Conluio de sorrisos, labaredas
crescendo entre as palavras que dizia.
Catástrofes, prodígios, tentações.
É isto a alma, o que nos vem à boca,
o travo amargo dos sonhos da véspera,
o corpo que iludimos noutro corpo.
- Fernando Pinto do Amaral
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