quarta-feira, abril 15, 2009

CAFÉ (XVIII)

(Mais um berro para contentar os que na
minha Poesia só amam a Musa dos Gritos.)

Ah! este silêncio que me persegue
no ruído dos Cafés, nos violinos gastos, na carfa nua dos espelhos,
nos punhais decisivos, nos rumos dos carneiros cegos,
nos comícios da Certeza, nas mulheres com esqueletos de veludo,
e principalmente nesta noite caiada de silêncio
em que mais uma vez ponho cabelos numa espada a fingir de musa
– para cantar, gritar, lutar, morrer
aos vivas à Bandeira do Nada
dum mundo para todos!

E então entro no Café de cabeça levantada
como se levasse de rastos,
à chicotada,
um rebanho de astros...

(Mas dentro de mim sempre este maldito silêncio que me persegue...)

- José Gomes Ferreira

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