sexta-feira, março 06, 2009

O leitor ideal

"(...) aquele que só quer ler e partir para o que é dele com essa leitura."

- Joaquim Manuel Magalhães

4 comentários:

JQ disse...

Não sei se será o leitor ideal, mas deve ser esse o que absorve o que lê com maior intensidade. Acho que também se pode chamar ideal àquela leitura que acontece quase por acaso. Cabeça vazia, sem estar à espera de nada, pegar num livro que alguém sugeriu e, no total desconhecimento dos antecedentes do autor, levar com uma surpresa nas vistas e por trás delas, ou então ser levado/aliciado por escritas/caminhos com novidade bastante para não permitir qualquer identificação. Em complemento à frase de JMM, atrevo-me a acrescentar «e também aquele que não fica indiferente ao que lê».

Diogo Vaz Pinto disse...

Acredito que a frase de JMM inclui essa questão de não ficar indiferente à leitura. Aquele que após a leitura parte para o que é dele é um leitor que absorve, alimenta-se, acrescenta à sua experiência aquilo que lê e assim continua a desenvolver-se de alguma maneira, escrevendo ou não.
Depois há muitos que reduzem tudo o que lêem a uma necessidade de afirmação, subsumem a experiência dos outros à sua, sempre de modo a forçarem conformidades ou oposições - quando no fundo a única necessidade intelectual é romper categorias, procurar a individualização e a diferença.

Espero que essa sugestão de leitura a que se refere e que aproveitou tenha sido a que eu lhe fiz. Se sim fico muito contente.

JQ disse...

«é romper categorias, procurar a individualização e a diferença», gostei.

«leituras que alguém sugeriu» serviu para reforçar o papel do acaso inicial na produção de uma surpresa. A sério que não estava a pensar em nenhum caso concreto, antes em vários (o que inclui Beau Séjour). Existindo apenas três ou quatro pessoas com a generosidade bastante para me sugerirem leituras, tem sido para mim uma sorte dos diabos a maior parte delas bater certo com o meu gosto, alargando-o muitas vezes.

Daniel Ferreira disse...

Peço desculpa com a intromissão. Não pretendo com isto revalorizar-me, nem de maneira alguma atirar achas para a fogueira. Sendo assim, e porque entendo que até então, fui mal interpretado - e até admito que grande culpa foi minha -, tenho a dizer que tudo aquilo que disse não foi, de todo sem pés nem cabeça; e muito menos dito ao acaso. No caso daquilo que escrevi relativamente a Changuito,
diz respeito tão só e apenas, até porque não conheço o homem em causa, ao seu golpe de marketing fraudulento, mesmo sabendo que em tal área é o pão nosso de cada dia.

Mas adiante e mudando de assunto.

Algumas pessoas, se bem percebi, conotaram na minha posição uma adenda para chegar a um patamar umbilical proposto. Simplesmente tentei imprimir e propor na escrita de todos os outros, e nunca como um absoluto, uma visão mais crítica relativamente aos tempos que vivemos, para quem sabe, criar condições mais ou menos úteis nesta época charneira da nossa História. Admito, mesmo que não concorde, que possa soar a psicótico, mas este tipo de devaneios possíveis e imagináveis, a meu ver não fazem mal nenhum. Para não me alongar muito mais, admito que durante este tempo todo me esqueci da essência daquela frase que me serve no dia-a-dia de porta estandarte no relacionamento com as pessoas: «Não basta dizer a verdade, é preciso apresentá-la amavelmente.» que, neste caso em particular, e aqui, não falo da escrita em si, mais do que uma desculpa da minha parte, é a prova de que amabilidade não me falta. E se assim não fosse, não teria provocado tudo isto, incluindo este pequeno texto relativamente à minha tosca atitude e sua consequente má interpretação.


Sem qualquer tipo de pretensão pessoal, como sempre, apenas repito: a escrita, tem potencial para lá do potencial comum que tanto nos delicia.